São Luiz do Tapajós passará por transformações profundas com as hidrelétricas...
O
plano de energização do Brasil para os próximos dez anos depende, em
grande parte, da Amazônia Legal – na qual incluem-se todos os estados da
região Norte, mais Maranhão e Mato Grosso. Estão projetadas 23 novas
usinas hidrelétricas até 2020, mais seis em andamento, de acordo com o
Plano Decenal de Expansão de Energia, da Empresa de Pesquisa Energética
(EPE).
No Pará, são pelo menos sete UHE, conforme plano decenal para 2020 da
EPE: São Luiz do Tapajós, Jatobá, Jamanxin, Cachoeira do Caí, Cachoeira
dos Patos e Jardim do Ouro, no complexo Tapajós-Jamanxin, e Marabá,
Santa Isabel, Santo Antônio do Jari e Teles Pires.
No total, elas deverão gerar 38.292 MW de potência, quase metade dos
78.909 MW produzidos pelas 201 usinas hidrelétricas já em operação no
País. Somados, os projetos alcançam 31% da capacidade de produção
energética nas duas principais bacias hidrográficas da região, a do rio
Amazonas e a do rio Tocantins. Pelo menos 14 delas usarão R$ 78 bilhões
em recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O potencial é
ainda maior. A Amazônia pode gerar 121.246 MW de energia, o equivalente
a 48,72% do potencial brasileiro. Além das grandes barragens, outras 11
Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) estão projetadas para os rios
amazônicos.
Acrescentando-se à lista as usinas de Estreito e Santo Antônio, em
operação desde 2011, os novos empreendimentos podem gerar 42.529 MW,
totalizando 53,9% da capacidade do Brasil. Parte do plano, porém, tem
pela frente a chamada desafetação, que é a redução do território de
unidades de conservação, como a construção das hidrelétricas nos rios
Aripuanã e Roosevelt, no Mosaico de Apuí (AM). A manutenção das unidades
ganhou o apoio dos administradores dessas áreas, sob gestão do ICMBio,
lotados no município de Itaituba, sudoeste paraense.
Em carta aberta, 15 analistas ambientais de diversas unidades se
manifestaram contrários à desafetação de cinco áreas federais: Parque
Nacional da Amazônia, Floresta Nacional de Itaituba I, Floresta Nacional
de Itaituba II, Floresta Nacional de Crepori e Área de Proteção
Ambiental do Tapajós. Processo que alagará 75.630 hectares no interior
dessas unidades para alimentar as hidrelétricas de São Luiz e Jatobá.
Segundo o documento, o Complexo de Usinas do Tapajós – UHE Chacorão, UHE
Jardim do Ouro, UHE Jamanxim, UHE Cachoeira do Caí e UHE Cachoeira dos
Patos – causará um alagamento ainda maior: mais 208.000 hectares, no
interior do maior mosaico de áreas protegidas do Brasil.
Segundo o documento dos servidores, estudos nessas unidades apontam
“altíssima biodiversidade, com considerável taxa de endemismo e grande
representatividade de espécies ameaçadas de extinção”.
“O atual processo de desafetação de unidades de conservação na bacia
do rio Tapajós, realizado sem nenhum estudo preliminar (…), subverte
gravemente as normas constitucionais de proteção ao patrimônio
ambiental”, diz um trecho da carta aberta. O documento se encerra
lembrando que os empreendimentos hidrelétricos “colocam em risco não
apenas a integridade do mosaico de unidades de conservação gerenciado
pelo ICMBio em Itaituba, mas a própria integridade do bioma amazônico”.
Fonte: RG 15/O Impacto e Nazareno Santos